Tessalonicenses Contra a Expiação Ilimitada – 1João 2:2 (Parte II)

Nesta segunda parte, o apologista, depois de ter defendido a sua teoria de expiação limitada, agora tentará reinterpretar 1Jo 2:2 para que signifique o que ele quer que signifique. Assim sendo, quando ele diz que vai “analisar o texto”, ele não vai analisar coisa nenhuma. Afinal, a análise do texto já foi feita: “seja lá o que esteja escrito, este texto não corrobora a expiação ilimitada”.

Mas lembre-se, algo mais incrível foi dito: que o texto corrobora a expiação limitada! Isto é muito mais grave: não adianta ter admitido uma postura mais “humilde”, dizendo que “o texto não aponta nem para um lado e nem para o outro”, ou dizer que “o texto pode ser interpretado de acordo com a expiação limitada”. Nada disso! O apologista foi claro: “antes de corroborar uma expiação ilimitada, 1 Jo 2.2 ensina que Cristo de fato efetuou propiciação pelos pecados dos Filhos de Deus espalhados por todas as nações do mundo” . Aliás, eu ia até perguntar: todas as nações, ou as nações espalhadas por todo o planeta‘?

Não seria nenhum spoiler se eu dissesse que o argumento supergenial que o apologista usa é o mesmo que – quem mais? – John Owen usa em um de seus argumentos. Mas vamos prosseguir sobre ele:

Quero que você por um momento reflita sobre o texto de 1 Jo 2.2 a luz do versículo que se encontra em Jo 11: 51 e 52 que diz:

“Mas ele não disse isso por si mesmo; pelo contrário, sendo sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus iria MORRER pela nação, e NÃO SOMENTE pela nação, mas TAMBÉM para reunir como um só povo os FILHOS DE DEUS que estão DISPERSOS”

Cruzando 1 Jo: 2.2 com Jo 11: 51 e 52, não nos dá uma grande probabilidade de que a expressão “mundo inteiro” significa não todos os indivíduos do mundo mas significa todos os FILHOS DE DEUS que estão dispersos por todas as nações do mundo?

 

Não, nem um pouco. Sabe por quê?

Primeiro, os dois trechos são ditos em contextos completamente diferentes. Pessoas diferentes, locais diferentes, momentos diferentes, ambientes diferentes. Até mesmo o locutor é diferente – em um, o missivista, e no outro o sumo sacerdote. A única coisa em comum entre os dois trechos é a construção “não apenas este, mas também aquele”. E, se expressões tão semelhantes fossem prova de alguma coisa, os famosos trechos de Romanos 5:12,15 provam com muito mais peso a expiação ilimitada!

Segundo, há uma falsa equiparação. O trecho de João não afirma nada sobre uma limitação da expiação, apenas uma particularização, a saber, pela nação e pelos filhos de Deus dispersos. Nada é dito acerca dos que estão de fora deste grupo. Assim sendo, João 11 seria uma aplicação particular, enquanto 1João seria uma forma geral.

Terceiro, por que o trecho de João 11 deveria ser um limitador do trecho de 1João, quando é bem possível que o trecho de 1João fosse um ampliador de João 11? Vou até refrasear o nosso amável arguente:

“Cruzando Jo 11: 51 e 52 com 1 Jo: 2.2, não nos dá uma grande probabilidade de que a expressão FILHOS DE DEUS que estão dispersos por todas as nações do mundo significa não os indivíduos eleitos mas sim o mundo inteiro?”

Aliás, isto pode ser um verdadeiro tiro pela culatra: este argumento poderia muito bem ser utilizado por um universalista! Se o arguente quer igualar os “filhos de Deus espalhados pelo mundo” ao “mundo inteiro”, então quem estaria com a razão: o universalista com seu “mundo inteiro” ou o calvinista com seu “filhos de Deus”, mais uma forçadinha de barra para injetar um “ninguém mais”?

Bem, eu poderia apontar outros tantos problemas, mas acho que já tá bom. O que tem aqui já mostra o tamanho do desespero e da obstinação de nosso arguente em defender uma doutrina tão duvidosa.

Para corroborar essa ideia quero citar Ap 5:9 que diz:

“E cantavam um cântico novo, dizendo: Tu és digno de tomar o livro e de abrir seus selos, porque foste morto, e com teu sangue compraste para Deus homens de TODA TRIBO, LÍNGUA, POVO E NAÇÃO.”

 

Que tal lembrar dos falsos mestres que negaram o Senhor que os comprou?

Diante de tais versículos não me resta nenhuma dúvida a não ser a certeza de que Cristo na cruz aplacou a Ira de Deus contra os eleitos que estão dispersos por todas as nações da terra.

 

Diante de uma montanha ainda maior de versículos, em especial o que o arguente tentou vender, também não me resta dúvida alguma além da certeza que Cristo morreu por toda a raça humana, sem nenhuma exceção a priori. Por que será que eu é que devo ser tachado de obstinado?

Na próxima, eu pretendo tratar dos “teólogos de renome” que o apologista nos trouxe. Tudo bem, eu os acho bem ruins, e nem deveria ligar muito para isso…

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Tessalonicenses Contra a Expiação Ilimitada – 1João 2:2 (Parte I)

Hum… Este talvez seja o texto mais fácil de lidar, de toda a série. Primeiro, porque o arguente enrola demais (que novidade…), e depois de arrancar a gordura não sobra muita coisa. O melhor que o arguente tem a oferecer é tentar definir propiciação de modo a depois emplacar magicamente a expiação limitada, e depois repetir um argumento velho e surrado de, quem mais?, John Owen.

Mas é interessante o arguente citar duas fontes calvinistas para “corroborar” sua posição. É quase como chamar dois comparsas para testemunhar em favor de um bandido! Seria mais interessante que ele achasse um arminiano disposto a argumentar a favor da sua interpretação ridícula e enviesada! Isto não deveria ser tão difícil afinal: eu conheço sites unitaristas que citam fontes trinitaristas em favor de suas posições heterodoxas, e mais que isso, eu conheço blogs calvinistas que apoiam alguma forma de expiação ilimitada.

Mas vamos lá:

Com muita frequência ouvimos da parte daqueles que defendem a expiação ilimitada, mas precisamente os arminianos, que essa doutrina é claramente ensinada em 1 Jo 2.2. Mas será que eles estão certos? 1 Jo 2.2 defende mesmo a expiação ilimitada? Meu propósito neste breve artigo é demonstrar que os arminianos estão equivocados e que antes de corroborar uma expiação ilimitada, 1 Jo 2.2 ensina que Cristo de fato efetuou propiciação pelos pecados dos Filhos de Deus espalhados por todas as nações do mundo.

Que bom! Ele já começou mostrando a que veio. Mais precisamente, suas alegações são:

  • Os arminianos estão equivocados;
  • 1Jo 2:2 não corrobora uma expiação ilimitada;
  • 1Jo 2:2 ensina que Cristo de fato efetuou propiciação pelos pecados dos filhos de Deus espalhados por todas as nações do mundo

Claro, permita-me acrescentar um item:

  • 1Jo 2:2 não ensina que Cristo de fato efetuou propiciação pelos não-filhos de Deus

Daqui, já aponto uma pequena grande confusão. O que será que o arguente quer dizer com “Filhos de Deus”? (Aliás, por que a maiúscula? Acaso os Filhos de Deus são tão mais importantes que o “cristo” que ele esqueceu de capitalizar?). Bem, na Bíblia, “filho de Deus” é algo concedido somente àquele que crê. João 1:12 deixa claro que é aos que creem no seu nome que é dado poder de se tornarem filhos. Não diz que primeiro se torna filho para daí crer. Notamos que, ao contrário do arguente anterior, este aqui parece não se preocupar muito com prostrar-se ao contexto.

Veja que sob este prisma a expiação não está “limitada” aos filhos de Deus. Ela também inclui, pelo menos, aqueles que um dia serão filhos de Deus. Isto pode parecer um detalhe menor, mas na selva de nomenclaturas calvinista não se deve perder nada de vista!

Assim sendo, acho que posso me referir ao fato que o arguente na verdade quer dizer que 1 João 2:2 ensina que a expiação fornecida por Jesus se restringe aos eleitos somente – ou, para nossos propósitos, “aos que creem e crerão”.

E o que será que o arguente quer dizer com “de fato”, ao falar que ‘Cristo de fato efetuou propiciação’? Note que o texto de 1João 2:2 não nos fornece nenhuma indicação temporal, que exija esta leitura ou conclusão de uma propiciação já consumada.

O arguente começa com uma longa e enrolada definição do que seria propiciação. Mas a definição dele foca no ato de propiciar, e não na provisão para este mesmo ato. Isto é deveras importante, pois o texto de 1João não fala do momento no qual os efeitos da expiação são percebidos pelo expiado. Nós vemos dizendo “Ele é a propiciação”, não “ele já propiciou” ou “ele está propiciando” ou “ele irá propiciar”.

E este é o principal problema: enquanto o texto fala da propiciação sem se referir à realização temporal do ato, o arguente já parte para a ideia que o texto de fato fala de uma expiação que já aconteceu!

Diante da definição supra citada fica evidente que Cristo na cruz aplacou a Ira Santa de Deus contra pecadores.

Puxa vida! Será que concordamos em alguma coisa? De fato, Jesus aplacou Sua Ira Santa (em maiúsculo, porque Amor Santo é coisa de arminiano bananão!) contra pecadores! Ele veio chamar os pecadores, e não os justos, ao arrependimento! E quem é que não pecou e está debaixo da ira de Deus, necessitado de Sua Graça?

Mas, claro, não posso esquecer: a definição de “propiciação” envolve alguma marcação temporal? Pois do tanto que ele falou, não vi nada de especial que implique uma tal marcação, pelo menos não uma que “mostre que os arminianos estão errados”.

Mesmo assim, ele define: Cristo na cruz aplacou (tempo passado) a Ira Santa de Deus contra pecadores. A ira já foi aplacada, não existe mais! Então, por que é que Paulo nos fala que dantes nós (‘os eleitos’) éramos filhos da ira? Será que Paulo estava louco? Ou Marcião tinha razão?

Esta falácia prosseguirá todo o texto, apenas aguardem…

Isso leva-nos a pensar, se Cristo aplacou a Ira de Deus contra os pecados de todos os indivíduos do mundo isso significa que Deus não está irado com nenhum homem e por isso nenhum indivíduo da raça humana irá ao inferno, pois ir para o inferno significa padecer debaixo da Ira Santa de Deus.

Viu só? Nem precisou andar muito! Tudo que eu escrevi acima se aplica integralmente: afirmar que o ato da propiciação ocorreu temporalmente no dia da morte de Jesus, e daí concluir estupidamente que nem todos serão propiciados.

Gostaria de notar que, de fato, há um bom tanto de calvinistas de 360 pontos que afirmam que, em algum sentido mais restrito, Jesus aplacou a ira de Deus contra os pecadores. John Piper até comenta sobre isto ao responder uma pergunta, e também em seu sermão sobre João 3:16. Podemos também citar alguns que creem que há conexão entre a graça comum e a expiação providenciada por Cristo.

Mas como alguém irá sofrer debaixo da Ira de Deus se Cristo na Cruz já aplacou a Ira de Deus contra todos os indivíduos do mundo?

Ué? Quem foi que disse que Cristo, na Cruz, ao (supostamente) aplacar a ira de Deus, também evitou que todo ser humano fosse ao inferno? Esta pergunta também pode ser facilmente jogada na cara do calvinista: se Cristo na Cruz já aplacou, tempo passado, a ira de Deus contra “os eleitos somente, e nada dos reprovados”, por que nós ainda nascemos, tempo presente, filhos da ira? Será que a explicação à la James White, a de que “aparentemente somos filhos da ira, mas não de fato”, é válida aqui? Ou o Pink-lagianismo?

Aliás, convém notar que calvinistas são meio esquisitos. Quando alguém ataca suas crenças com supostos “argumentos emocionais”, eles não se esquivam de usar a alegoria do barro retrucando o oleiro – não sem também adjetivar com coisas como: obstinação (mas não somos todos vasos dEle?), mente não moldada pela graça de Deus (mas não somos todos vasos dEle?), depravação (mas não somos todos vasos dEle?), falta de humildade (mas não somos todos vasos dEle?) e esse lixo bulverista.

Prosseguindo: se Deus pode ter misericórdia de quem quiser e endurecer a quem quiser, porque Ele é Soberano e tudo que Ele fizer é por definição justo (não que “por definição” seja algo bem estabelecido, né?), por que raios eu não posso afirmar que Deus está irado contra todos aqueles por quem Jesus aplacou a ira? Oras, não são estes vasos de barro, que Deus molda como bem quiser? E se Ele quiser ficar irado com um vaso eleito/expiado? Qual é o problema? Deus de repente “perdeu o poder da ira”? Ou Jesus de repente amarra as mãos e cega os olhos do Pai contra os eleitos?

Como se diz por aí, a melhor maneira de refutar um calvinista deste tipo é deixar ele se enforcar com suas próprias palavras.

Quanto ao argumento seguinte, fica para a próxima…

Tessalonicenses Contra a Expiação Ilimitada – Romanos 14:15 Parte I

Aqui, será a vez de observar o texto de Thomas Magnum.

Eu não gosto nem um pouco de defesas apaixonadas do calvinismo, muito menos de calvinistas. Isso certamente é o que mais me incomoda nesta série. Afinal, para um calvinista desse gênero é impossível fazer uma defesa apaixonada sem também fazer um ataque irracional e inflamado. Dizer que “quando nos prostramos ao contexto” o resultado é outro é, de certa maneira, uma afirmação soberba, arrogante e orgulhosa, semelhante ao fariseu de Lucas 18:9-14. Afinal, ele quer mostrar que ele está sendo superior ao que “não se prostra ao contexto”.

Mas esta é também uma alegação. Ele afirma estar prostrado ao contexto, então ele precisa demonstrar isto. Vamos ver se ele tem sucesso em tal empreitada…

Devemos primeiro compreender que o alvo da advertência de Paulo aqui, não são os irmãos fracos, mas, os fortes que por causa da sua liberdade de consciência violam a liberdade do mais fraco. O texto se refere a tropeços no caminho dos fracos, semelhante advertência encontramos em I Co 8:11. O imperativo “não destruas” implica em graves consequências para os crentes fracos, quando esses são encorajados pelas atitudes dos fortes a transgredir sua própria consciência. A ênfase recai sobre os crentes fortes, por causa do detrimento sofrido aos fracos [2]. Um outro sentido usual da palavra apóllymi é sofrer derrota ou perda [3]. No entanto, a ordem aqui “não destruas” é aos crentes fortes e não aos fracos. O termo aqui não se refere a perca da salvação. A segurança da salvação defendida pelos arminianos depende do indivíduo ou de outra pessoa? Se a salvação ou condenação depende da influência humana temos então outros mediadores, e sei que os arminianos não defendem isso, esse é um fato que deve ser compreendido nessa passagem. A expressão aqui refere-se ao dano espiritual causado a um irmão fraco.

Eu estou achando isto bastante estranho… Será que calvinistas de repente se esqueceram de suas longas defesas acerca da responsabilidade humana? Toda vez o calvinista vive a repetir “a soberania de Deus não contradiz a responsabilidade humana”, em alto e bom som. Será que ele estará disposto a criar mais uma dissidência do calvinismo?

Porém, vamos devagar. Que o texto é uma ordem dada aos crentes fortes, isto é óbvio. De fato, é nisto que o texto se baseia: que devido aos nossos atos, outras pessoas podem ser afetadas.

Até a parte “…a ordem aqui “não destruas” é aos crentes fortes e não aos fracos”, nada de interessante é dito. Porém, de onde é que o calvinista, no segundo seguinte, tira que “O termo aqui não se refere a perca [SIC] da salvação”? De sua própria teologia pré-concebida? Ou, replicando do apologista anterior, “Será porque soa mais agradável?”. Mistérios…

Mas ele coloca algumas perguntas. Vamos tentar respondê-las:

A segurança da salvação defendida pelos arminianos depende do indivíduo ou de outra pessoa?

O que devemos entender como “segurança da salvação” aqui? Eu não sei, afinal não fui eu quem fiz a pergunta. Porém, creio se tratar de algo subjetivo – saber se estou ou não presentemente salvo. De acordo com João (1Jo 5:11-13), esta é uma questão de auto-avaliação. Isto fica ainda mais claro com Paulo (ah, Paulo, sempre Paulo…) e o teste da fé em 2Co 13:5. Note-se, de passagem, que isto não tem relação com a doutrina calvinista da perseverança dos santos, nem com outras doutrinas em especial, mas com algo de perspectiva mais íntima e pessoal.

O que devemos entender como “dependência” aqui, para começo de conversa? Eu não sei, afinal não fui eu quem fez a pergunta. Mas creio que não deve se tratar de uma suficiência causal. Afinal, a atitude de um irmão forte nem sempre implica por si só a deserção de um irmão fraco. Afinal, se implicar, o calvinista terá que desistir da perseverança dos santos ou da expiação limitada – o walk over mais fácil que eu já vi!

Ainda assim, há uma conexão óbvia, pelo menos em termos de responsabilidade. Há, certamente, a responsabilidade do próprio irmão fraco em ter se deixado levar pelo ato do irmão forte, porém isto não anula a responsabilidade do irmão forte. Neste sentido, então, há uma clara dependência entre os atos do irmão forte e aqueles do irmão fraco. Mesmo o calvinista terá que concordar com isto – ou ele terá que abandonar sua apaixonada defesa de que “a soberania divina não contradiz a responsabilidade humana”…

Se, como o calvinista quer colocar, a segurança do crente é totalmente independente de outras pessoas, então por que Paulo está associando a atitude do irmão forte com a reação do irmão fraco? Acaso ele não se “prostra ao contexto”?

E mais que isso, podemos estender estas coisas à salvação em si mesma: se a fé-para-salvação é entendida como sendo responsabilidade exclusiva da pessoa – como mostra o texto de Atos 16:31 – então, por que somos instados a evangelizar e defender a fé? Estamos fazendo um trabalho intrinsecamente inútil? Então, como diria Sproul, nós só evangelizamos porque o patrão mandou?

Se a salvação ou condenação depende da influência humana temos então outros mediadores, e sei que os arminianos não defendem isso, esse é um fato que deve ser compreendido nessa passagem. A expressão aqui refere-se ao dano espiritual causado a um irmão fraco.

Espere! De onde o calvinista tira o ridículo argumento de que “influência humana” implica mediação? Que coisa ridícula é essa?

Por algum acaso o calvinista gostaria de levar este argumento às suas últimas consequências? Pois, novamente, voltamos para o evangelismo. Sabemos claramente que o evangelismo envolve persuasão. Se isto for falso, novamente, estamos fazendo um trabalho intrinsecamente inútil?

E mesmo que o calvinista diga que não, lembre-se que o próprio Senhor, em uma parábola, instou-nos a “forçá-los a entrar, para que minha casa se encha” (Lc 14:23). Em sua Bíblia de Estudo, John MacArthur afirma que esta “forçação” não significa aplicação de força física ou algum método de coerção violenta, mas persuasão enérgica.

Assim sendo, a Bíblia claramente conecta os nossos atos e atitudes como tendo relação com as reações alheias. Ir contra este fato é uma mostra clara de não se “prostrar ao contexto”.

Aliás, temos que entender uma coisa: de que mediação estamos falando, afinal de contas? Eu não sei, mas é bastante provável que o arguente esteja se referindo a este texto:

3 Pois isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador,

4 o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade.

5 Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem,

6 o qual se deu a si mesmo em resgate por todos, para servir de testemunho a seu tempo;

Aí vem minha dúvida: o que será que significa, aqui, dizer que Jesus é Mediador entre Deus e os homens? Bem, pesquisando o vocábulo traduzido como “mediador”, achamos muitas referências em Hebreus e em Gálatas. Por exemplo:

e a Jesus, o mediador da nova Aliança, e ao sangue da aspersão, que fala coisas melhores do que o de Abel. {Hebreus 12:24}

Aqui, fala-se que ele é mediador da Nova Aliança. Isto não tem nada, absolutamente NADA, a ver com “a influência humana”. Repito, então: o que tem a ver a influência humana” com a obra do Sumo Sacerdote? O que tem a ver a influência do meu modo de agir (a qual é dita por Paulo como diretamente relacionada com a perdição do irmão mais fraco) com o Sacerdócio? Será que nosso arguente se esqueceu de “prostrar-se ao contexto”?

Ademais, vemos que este texto de Timóteo fala somente da mediação sumo-sacerdotal – uma mediação que obviamente só cabe a Jesus Cristo Nosso Senhor. Mas outras formas de mediação sempre estiveram presentes no cristianismo.

  • Que tal o próprio evangelismo? 2Coríntios 5:20 fala que somos embaixadores da parte de Cristo, um caso explícito de mediação. Ou não?
  • Que tal os óbvios sacerdotes do AT? Eles não faziam intermediação em todas as questões religiosas?
  • Que tal os profetas, que sempre falaram da parte do Senhor (Jr 7:1)? E sobre quem estavam pesadas consequências caso se afastassem da palavra que lhes foi dada a pregar (Ez 33:6)?
  • Que tal a própria Igreja, o Corpo de Cristo? Jesus não rogou ao Pai para que fôssemos um com Ele (Jo 17:20-21)? E isto não foi para que o mundo cresse que Jesus fora enviado (Jo 17:22-23)?
  • Que tal o próprio São Paulo? Em Rm 11:13-14 Paulo dizia diretamente que pretendia incitar emulação e salvar alguns deles! O próprio Paulo se interpunha como salvador de tais! E mais que isto: em 1Co 9:22-23 Paulo se coloca como ‘salvando alguns’ e co-participando do Evangelho! Se não existe nenhuma, absolutamente nenhuma, ‘participação humana’ na salvação, então Paulo deveria ser o primeiro herege da história! Ou talvez o segundo…
  • Afinal, que tal vermos o centurião de Mateus 8:5-13? Aquele centurião rogou para que Cristo curasse o seu servo adoentado. Se isto não é uma mediação, eu não sei mais o que é!

Pois bem, o principal argumento, e o mais ridículo deles, não resiste nem mesmo à mais simples lógica e a uma singela “prostração ao contexto”…

Enfim, acho que até aqui escrevi demais. O que sobrar, ficará para uma ligeira segunda parte…

Uma Defesa Informal da Expiação Ilimitada – Meditando…

Talvez, antes de prosseguir nestas análises dos textos-sem-prova, eu deva fazer uma digressão sobre o assunto em si. Afinal, o que um gomarista pretende quando aborda uma das centenas de textos que contrariam diretamente a expiação limitada?

Como eu já disse em outro post, existe farta evidência escritural/textual a favor da expiação ilimitada. Em contrapartida, o mesmo não se pode dizer da doutrina oposta. Basta notar que a expiação limitada quase nunca é defendida exegeticamente, mas sempre é fartamente recheada de argumentação teológica. Do que eu tenho visto, o padrão é fazer algumas afirmações teológicas, acerca por exemplo dos benefícios da expiação, e daí concluir que a limitação destes benefícios implica limitação da provisão/satisfação também.

Tendo sido construída uma teologia supostamente robusta, aí que se parte para a análise dos textos universais. Mas esta análise é sempre fortemente guiada por esta teologia. Em qualquer caso de dúvidas, a teologia pré-concebida é quem dará a última palavra.

Tente pensar nisso como uma balança de dois pratos. Em um dos pratos, está colocada toda uma argumentação teológica para apoiar a expiação limitada. Em outra, estará o conjunto de textos-prova universais. Para cada texto-prova universal, se adiciona uma fraca argumentação que “provará” que mundo não é mundo. Essa argumentação não precisará ser forte, pois toda a força necessária já foi dada pela argumentação teológica.

Aqui, creio que podemos atacar em duas frentes simultâneas e mais ou menos independentes:

  1. Enfraquecer os argumentos contra os textos-prova – ou seja, levar a exegese a sério.
  2. Apontar as falhas da teologia limitacionista.

Vou tentar melhorar esta heurística com o passar do tempo. Para tanto, pretendo lidar com alguns dos argumentos usados por John Owen e repetidamente replicados na blogosfera apologista.

Um pequeno alerta: eu não creio em expiação penal. Logo, quase 99% dos argumentos calvinistas não terão nenhum efeito contra mim. Eu já postei, e continuarei postando enquanto Deus permitir, minhas traduções e defesas deste assunto. Enfim, que fique este alerta!

Uma Defesa Informal da Expiação Ilimitada: Tessalonicenses contra Jo 3:16 (Parte II)

Tessalonicenses contra a Expiação Ilimitada – Jo 3:16 (Parte II)

Eis a segunda parte. Aqui, não há uma forma padrão de lidar com o texto. O arguente se limita a fazer algo óbvio:

  • Apontar os diversos sentidos de “mundo”, para concluir que há vários deles, e portanto o sentido adotado pelo arminiano não é o único disponível;
  • Apontar trechos em que Deus está “odiando” (e suas conotações) algumas pessoas;
  • Inserir a sua própria interpretação, sem maiores análises (e com uma provocação idiota ao fim).

Me parece bastante óbvio que isto está longe de ser um argumento convincente. Talvez o argumento mais forte, não racional mas emocionalmente, são os trechos de ódio divino. Basta notar a seção que a Skeptics’ Annotated Bible devota a tanto.

Essa moldura argumentativa, uma denúncia perfeita da falta de exegese aliada ao excesso de teologia pré-concebida, será uma constante nestes artigos. E é isto o que mais incomoda, pois mostra uma falta de reverência com a Palavra. Afinal, a simples palavra “mundo” está profundamente enraizada no Evangelho de João. Citar versos a esmo, sem propósito, é certamente uma afronta à Palavra.

Bem, como eu posso argumentar contra isto? Como eu já disse, este megatexto sempre tomará como uma verdade absoluta o fato que Deus é incapaz de amar salvificamente, em qualquer sentido, qualquer dos não-eleitos. O que ele tentará é reduzir o texto de Jo 3:16 a esta moldura pré-forjada.

Vamos ver o que os trechos dizem, e como eles podem ser de alguma forma apontados:

  • At 17:24: nada de imediato. Na verdade, o contexto poderia apontar para algum problema com o calvinismo, mas não vou lidar com isso agora.
  • Jo 12:31 (um errinho de digitação do arguente): não posso dizer exatamente o que ele quer dizer com “sistema mundial”. Talvez afirme acerca do domínio do diabo e seus anjos no mundo, o qual seria em breve amarrado. Mt 4:8 não parece se relacionar com isto: uma visão de todos os reinos não parece ter muito a ver com o diabo. Enfim, prossigamos.
  • Rm 3:19: É estranho ele confessar um texto universal. Mas é de fato quase inócuo: um texto no qual todos são postos como condenáveis diante de Deus não é lá muito impressionante. Difícil é encontrar um mundo onde todos são salváveis diante de Deus – ou seja, a condenação pode ser potencial mas a salvação não 🙂
  • Jo 15:18: este deveria ser o sentido de “mundo” atribuído em Jo 3:16. Basta ler João para notar que “mundo” é sempre associado com rebeldia.
  • Rm 11:12: estranho, pois “mundo” tanto inclui quanto exclui Israel. Explico: a queda de Israel trouxe benesses ao mundo, tanto a judeus quanto a gregos. Afinal, um judeu não está longe da salvação – o próprio São Paulo é da tribo de Benjamim!
  • Jo 1:29: Aqui tenho que discordar. O texto não diz “o cordeiro que tirou o pecado do mundo”. E também não preciso entender isto como “que tirará o pecado dos eleitos”. O texto apenas diz que Jesus é o Cordeiro que tira o pecado do mundo.Eu compreendo isto no sentido de que não existem outros tiradores de pecado. Jesus é aquele que tira pecados, em contraste por exemplo com o antigo sacerdócio, que apenas cobria-os.
  • Sobre os textos usados para implantar a ira divina, note que os trechos citados sempre atribuem a ira a alguma coisa bem concreta – a saber, ímpios. Veja que eu disse ímpios, não disse “reprovados incondicionalmente”. Em momento algum é dito, por exemplo, que os eleitos estão livres de punição. Afinal, não está ali em Rm 3:9 que todos são condenáveis? Diga-se de passagem, sabemos que Davi foi sanguinário e fraudulento. Será que ele está no inferno agora?
  • Sobre o amor, ele não é direcionado aqui aos eleitos por si só, mas aos crentes.

Mas fica a nota: Romanos 5:8 poderia ser usado a favor da expiação ilimitada. Pretendo desenvolver isso num futuro próximo.

Diante das passagens expostas, por que João 3.16 tem que, necessariamente, significar toda a humanidade, isto é, todo e qualquer ser humano que existe na terra? Será porque soa mais agradável?

Não há argumentos convincentes até agora. Esta é uma boa razão para crer que Jo 3:16 se estende além dos eleitos. E não uma estúpida leitura mental de suposta “agradabilidade”. Aliás, há pouquíssima “agradabilidade” em crer que Deus ame sem exceção. Afinal, se Deus ama até mesmo Seus inimigos, vemos quão longe estamos de tal perfeição ao argumentar filosofias de homens…

Enfim, chega alguma interpretação de Jo 3:16.

É fato que sobre muitos a ira permanece e nem todos creem, mas note que a ira está potencialmente sobre todos. Ou nem todos são mais condenáveis? E o texto não diz direramente que Deus amou a fim de salvar. O texto diz que Jesus foi entregue para salvar. Isto é um salto não muito grande, mas que precisaria ser justificado (o que, mais uma vez, não foi).

Todo o restante é mera descrição de um sistema de crença, não uma argumentação.

Enfim, é isso: um artigo confuso, respondido de forma confusa. Fraco, eu sei…

Uma Defesa Informal da Expiação Ilimitada: Tessalonicenses contra Jo 3:16 (Parte I)

Tessalonicenses contra a Expiação Ilimitada – Jo 3:16 (Parte I)

O primeiro texto analisado aqui será o fartamente citado João 3:16 (comentado por Francisco Aquino). Como é de se esperar, o arguente demora um bom tanto até analisar o texto em si.

Esta é uma constante das defesas gomaristas. Afinal, elas não são baseadas em exegese mas em teologia, no seguinte sentido: uma análise honesta do texto bíblico não mostra que Jo 3:16 apóia a expiação limitada ou refuta a ilimitada, e a única maneira de conseguir isto é apelando para outros textos e argumentos. Não há um empenho descobrir o que João (ou Jesus, neste caso) quis dizer com “…Deus amou o mundo…” neste trecho, apenas uma tentativa de fazer com que o texto não tenha força para contradizer um ensino pré-estabelecido.

Como dizer isto de outra forma? Talvez, afirmando que não existe realmente uma exegese – intenção de extrair o significado do texto – mas uma eisegese – intenção de injetar uma ideia pré-concebida em cima do texto. O caso mais claro é o texto de John Owen: ele leva a maior parte do tempo estabelecendo uma teologia um tanto complexa, para depois rebater qualquer comentário sobre versos universalísticos com simples alegações de “se este verso ensina a expiação limitada, então aquilo que eu disse na parte anterior é falso”.

Enfim, depois da minha própria enrolação, sigamos!

Vejamos primeiramente a segunda parte do versículo. O texto diz: “para que todo aquele que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna.” Isso significa que todo e qualquer homem pode crer livremente? Creio que não. O verso não diz que os incrédulos têm a habilidade por seu próprio livre arbítrio de receber a Cristo. Visto que Deus é o único que nos garante a fé sendo ele o autor e consumador desta (Fp 1.29; Hb 12.2) “todo aquele” se refere àquele a quem Deus garante o ato de crer.

Me cabe notar algumas coisas:

  1. Arminianos não concedem tão facilmente que o homem “creia livremente”, e sim que o homem é habilitado a crer (aí sim, livremente). É certo que o homem crê livremente, e até mesmo alguns calvinistas concordariam com tanto – ainda que com um carretão de poréns.
  2. Para o nosso intento, é irrelevante se o verso diz ou não algo acerca de “crer livremente”. Afinal, o assunto é expiaçao limitada e não liberdade de crer.
  3. Ainda assim, cabe um rápido comentário: “garantir o ato de crer” é algo um tanto ambíguo – o termo mais apropriado, dado os versos citados, é “conceder”. Pegando tais versos, não há nada que afirme uma incondicionalidade ou irresistibilidade em tais textos. Não pretendo adentrar na exegese deles, afinal isto pode ser facilmente encontrado em meu blog. Mas, basta notar que em momento algum os textos tratam a fé como algo do qual Deus é um artífice e nós somos simples mesas de trabalho (sim, a alegoria do barro…). A concessão do crer e padecer em Fp 1:29 não é irresistível, bem como a autoria da fé em Hb 12:2 não o é também.

Mas antevendo a réplica, sabemos que o arminiano crê que a fé é um presente que Deus concede a todos e cabe à pessoa receber ou não, como afirma o próprio Arminius:

\[…]

Na comparação de Armínio é muito difícil imaginar um mendigo não consentindo com um presente tão gracioso. Mas o fato que permanece é que, para receber a esmola, o mendigo, enquanto ainda necessitado, deve estender a sua mão. Ao mesmo tempo, ele estende a sua mão porque ele quer fazer assim. Na comparação de Armínio, o mendigo poderia de modo concebível, ser tão rebelde a ponto de rejeitar a esmola oferecida. Para Armínio, o mendigo possui o poder natural de estender sua mão.

Como eu já devo ter me exaurido de dizer: não devemos esticar as analogias além do ponto que elas são concebidas. Por exemplo, ninguém em sã consciência deve tentar contar quantas penas e plumas têm as asas de Deus (Sl 90:4). Se todos temos esse cuidado com a Bíblia, por que o esculacho com as palavras de um homem?

O objetivo da analogia é mostrar que não tem cabimento concluir que merecimento implica incondicionalidade ou irresistibilidade. Qualquer um que leia a ‘parábola do mendigo’ sabe disso. O fato de o mendigo ter ‘mãos naturais’ para esticar (e ‘mente natural’ para raciocinar, que seja) nesta parábola é irrelevante para o tema da incapacidade total – este ‘detalhe’ é resolvido em outro momento.

Assim sendo, qualquer tentativa de tentar anexar pelagianismo a Arminius é puro desespero. (Eu bem sei que há a questão do ‘orgulho’, mas não vou tratar dela aqui e agora).

Acerca dos versos utilizados:

  • At 13:48: A resposta mais curta é que este trecho não indica nenhuma conexão causal, apenas uma igualdade de conjuntos. O conjunto daqueles que creram é igual ao daqueles que foram destinados/apontados/ordenados/preparados para a vida eterna. Há um salto aqui para se concluir causalidade, um salto que o texto não apóia.

E mais, ainda que se admita alguma relação causal, nada implica irresistibilidade ou incondicionalidade. Afinal, o verso não diz “e creram porque receberam naquele exato momento uma aplicação da graça irresistível (ou, para citar os neocalvinistas, devido a uma regeneração preveniente) todos aqueles incondicionalmente eleitos para a vida eterna (ou, para citar alguns mais modernos e apressadinhos, eleitos para a fé)”. Para um arminiano mais tradicional, este verso no máximo apoiaria a teoria da graça preveniente ou da presciência. Novamente, em meu blog há algumas boas explicações sobre este versos.

  • Jo 10:26: eu ainda estou traduzindo uma série acerca de João. Porém, o que ele coloca no texto é um red herring. OK, o texto diz “não creem porque não são minhas ovelhas”, e não o reverso. Mas, e daí? Ainda é necessário dizer quem são as tais ovelhas, antes de tentar apoiar o calvinismo só com isso. E não adianta dizer “elas são os eleitos incondicionalmente” e sair correndo – isso não está no texto.

E isto acaba a primeira parte do primeiro texto. Como o arguente não tocou no primeiro texto-prova, eu também não toquei no mesmo. Afinal, defender a eleição incondicional é irrelevante para a defesa da expiação ilimitada – basta notar o comentário de Calvino sobre este trecho. Há trechos valiosíssimos, que em minha opinião fariam qualquer gomarista tremer nas bases. Mas fico com este:

E ele empregou o termo universal, “todo aquele que” tanto para convidar todos indiscriminadamente a participar da vida, e para cortar fora todas as desculpas dos incrédulos. Tal é também o sentido do termo “Mundo”, que Ele usou anteriormente, porque nada será encontrado em todo o mundo que seja digno da graça de Deus, mas ainda assim Ele se mostra reconciliado com o mundo inteiro, quando ele convida todos os homens sem exceção a fé em Cristo, que nada mais é do que uma entrada para a vida.

Uma Defesa Informal da Expiação Ilimitada: Tessalonicenses – ou Teologia Forçando a Exegese: Estudando Argumentos Contra a Expiação Ilimitada

Tessalonicenses – ou Teologia Forçando a Exegese: Estudando Argumentos Contra a Expiação Ilimitada

Já faz um imenso tempo que eu não mexo com estes blogs, e de fato meu interesse tem se desviado um pouco. Não tenho encontrado muita coisa nova em teologia – mesmo porque meu interesse é mais voltado à filosofia. Na parte que mais me tem tomado o tempo, a soteriologia, não tem existido realmente muitas novidades. Os argumentos exegéticos são os mesmos desde muito tempo. Isso tornou-se uma disputa à base de grito – vence quem xinga, quem cutuca, quem ofende mais. Se em um texto de mais de cinquenta linhas encontrarmos uns dez após limpar todos os insultos, ainda é muito.

Talvez por isso mesmo, eu considero a maior parte dos textos acerca do assunto excessivamente enfadonha. Isso desanima até mesmo uma interação séria. Mesmo assim, farei algum esforço em um texto sobre o qual eu tomei conhecimento no Facebook, do infame site anti-arminiano (sim, eles não se contentam em ser simplesmente “calvinistas”) Bereianos, acerca do “calcanhar de aquiles de Roger Olson” (a expiação ilimitada).

O texto original é grande, pois na verdade é um compilado das respostas de diversos autores. Desta forma, terei que fracionar o texto, e mais, terei que fracionar cada texto do compilado em várias partes (escrever tudo numa única parte ficaria imenso). Porém, como foi um texto único que me foi passado, posso sem nenhum pudor tratá-lo dessa forma. Neste sentido, se os autores se contradisserem, isto será levado em consideração.

Eis mais um índice progressivo!